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Mártires iraquianos recordados no Ocidente
26 de Novembro de 2010
Lisboa, 26 de Novembro de 2010 (Rádio Renascença) - Também ontem houve celebrações em Roma e noutros pontos do mundo.
Urge fazer-se da defesa da liberdade religiosa um compromisso político, diz o Cónego João Seabra. O alerta foi lançado esta noite na Igreja da Encarnação em Lisboa numa celebração em memória das vítimas do atentado na catedral de Bagdad em Outubro. "É muito impressionante que o Ocidente democrático não tome como causa sua a defesa da liberdade religiosa dos cristãos nos países islâmicos, que uma coisa como esta, a chacina dos cristãos no Iraque possa ter acontecido sem que houvesse uma comoção nas chancelarias, sem que houvesse movimentação de embaixadores, sem que fosse assunto da cimeira da NATO", lamenta o Cónego.
Na missa, que se celebrou às 19h e contou com mais fiéis que o habitual para um dia de semana, o sacerdote formado em direito explicitou os perigos do Ocidente ignorar esta luta. "Está aqui uma causa que, se não for assumida como causa política concreta pelo Ocidente, vai inevitavelmente conduzir a um agravamento das condições de aquisição da liberdade. Esta defesa da liberdade religiosa é a defesa das condições de convivência civil sobre as quais se funda a paz. Se não fizerem da defesa da liberdade religiosa uma prioridade política, as condições da guerra e da violência aumentam. Quem comete esse erro colherá os frutos", avisa o Cónego João Seabra.
A missa de ontem foi celebrada em memória dos cristãos perseguidos no Iraque, a pedido da Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém, que tem por missão, entre outras coisas, contribuir para a manutenção das comunidades cristãs na Terra Santa.
Gonçalo Figueiredo de Barros, Lugar-Tenente da ordem em Portugal, lamenta que a Comunidade Internacional não esteja atenta às questões da liberdade religiosa e pede aos responsáveis uma nova orientação ética. "Tem sido esse um problema do nosso tempo, justamente uma ausência de valores, de práticas, que correspondam a princípios perenes, e nesse aspecto a comunidade internacional está a pagar a falta de grandes valores que a têm norteado, tem de haver mais espiritualidade e mais ética nas actuações das nações."
Santa Sé "próxima" dos perseguidos
A missa celebrada em Lisboa inseriu-se numa série de iniciativas semelhantes um pouco por todo o mundo. Em Roma, a celebração foi presidida pelo Cardeal Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais. A Santa Sé quer manifestar aos cristãos do Iraque a sua "proximidade" e "fraternidade espiritual", perante a onda de violência que os tem atingido nos últimos tempos, afirmou o prelado.
Em declarações à Rádio Vaticano, o cardeal Sandri disse querer enviar "uma mensagem a todos, para que os cristãos no Iraque sejam defendidos e se proteja o seu direito à liberdade religiosa". "A situação no Iraque continua a ser dramática", assinalou. O Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais pediu a ajuda de "todos os homens de boa vontade, também a nível internacional" para que todos levantem a voz em defesa dos cristãos iraquianos.
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